23 Dezembro, 2005

MADRUGADA I

Já era tarde, o horario não sabia, não precisava. A cidade que nunca parava estava em silêncio, tinha a impressão de que era a única pessoa acordada naquele momento.
Seu quarto se encontrava na escuridão, esta rompida apenas pela lumisidade fria e azul que o visor de seu computador emanava. Luz que não o esquentava, contudo o alimentava, alimentava sua insônia. O unico barulho que ouvia era o bater de seus dedos contra o teclado. Estes que em uma tarde qualquer passariam despercebido, porém naquele momento soavam mais alto q que o badalar dos sinos de uma igreja.
Escrevia, escrevia para aliviar o turbilhão de seus pensamentos, não esperava que nada aproveitável saísse daquilo, porém não parava, ele precisava esvaziar sua mente pra depois poder dormir tranquilo.
Pego de surpresa salta da cadeira, ao ouvir um ruído que irrompeu o silêncio e o digitar de seus dedos. Junto com o ruído, agora já identificado como uma canção, se via uma fraca luz competindo sua atenção com a aquela emanada pela tela do computador.
Olhou para o seu celular, o número que gritava por ele não era identificado, pensou quem poderia ser em meio a escuridão da madrugada?! Talvez algum amigo bêbado que ligava de alguma festa, para lhe dizer que não poderia ficar em casa, não com uma festa daquelas acontecendo.
Ao ouvir a voz do outro lado da linha, identificou-a no ato. E um arrepio correu por sua coluna. Era a voz da única pessoa no mundo que conseguiu brincar com seus sentimentos.
Ele nunca fora iludido, nem criara expectativas, dizia que não se apaixonaria. Porém ao conhecer essa mesma pessoa, que agora estava com ele ao telefone, suas convicções desmoronaram. Ele se apaixonou, talvez até amou, fez planos. E nunca foi correspondido. Foi enganado, traído.
Neste momento um pensamento veio à tona, o que aquela pessoa poderia querer? Não bastava toda a vergonha que sentira no dia em que ele descobriu que tudo era uma mentira? E que o motivo daquela ligação era faze-lo sentir mis uma vez a humilhação que sentira tempos atrás?
Para sua surpresa, a pessoa do outro lado se dizia arrependida, e que não conseguia dormir, estava pensando nele. E que precisava urgentemente ve-lo para conversar pessoalmente, esclarecer os sentimento que foram deixados pendetes.
Embriagado pela noite e com um pouco de sono que agora mostrava as caras, ele disse sim, tudo bem, nos vemos amanhã pela manhã.
Desligou seu celular e foi dormir, agora todas as luzes desapareceram, o quarto estava escuro, mas aquela ligação o deixara elétrico. Seu coração palpiava forte e veloz, suas entranhas pareciam comprimidas pelas batidas do orgão. Sabia que tardaria a conseguir dormir...
CONTINUA.....

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